Os números não mentem. Mas podem enganar quem não sabe lê-los.
Uma rede de lojas de calçados me chamou para um diagnóstico financeiro. Faturamento de R$ 8 milhões por mês, 9 lojas em operação e um DRE que mostrava lucro. O empresário estava confuso: "Os números são bons, mas sinto que algo está errado."
O sentimento estava certo. Os números estavam contando apenas parte da história.
O DRE consolidado da rede mostrava uma margem líquida positiva. Mas quando abrimos o DRE por unidade — analisando cada loja como um centro de resultado independente — a realidade era outra.
Três lojas eram altamente lucrativas. Duas eram marginalmente positivas. E quatro estavam no prejuízo — sendo subsidiadas pelas demais sem que ninguém tivesse percebido.
"O consolidado esconde. O analítico revela."
Quando mapeamos o Fluxo de Caixa por loja, o diagnóstico ficou ainda mais preciso. As quatro lojas deficitárias tinham um prazo médio de recebimento 40% maior que as demais — resultado de uma política comercial agressiva que havia sido implementada sem análise financeira.
Além disso, o estoque dessas unidades estava 60% acima do necessário para o volume de vendas. Capital imobilizado em prateleiras — sem girar, sem gerar caixa.
Com o diagnóstico preciso, as ações foram cirúrgicas: ajuste da política comercial, redução de estoque nas unidades deficitárias e abertura da 10ª loja em Itabaiana-SE — desta vez, com planejamento financeiro completo.
Em 1 ano, o faturamento foi de R$ 8MM para R$ 10,5MM mensais. A rede hoje projeta a abertura de mais uma unidade no estado de Sergipe.
Números bons no consolidado podem esconder problemas graves no detalhe. A análise por Centro de Resultado — Grupo Econômico, Unidade de Negócio e Centro de Resultado — é o que separa a gestão superficial da gestão estratégica de verdade.
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